“Na primeira noite em que meu filho dormiu em casa, na primeira noite em que fui pai dele, eu não dormi.
Não me entreguei ao sono pela ternura da brisa da madrugada, que insistia em cortar as cartas dos ouvidos. Não apaguei por excesso de entusiasmo. Um composto de medo, assombro e ansiedade. Espiava se chorava, miava, soprava. Deslumbrado por ter participado da criação do mundo.
Ele precisava de mim.
Estava aprendendo a paternidade, estava cuidando, não mais sendo cuidado. Conheci o ato de proteger, de serenar, de acolher. Poderia finalmente me esquecer e ainda me sentir importante.” (Fabrício Carpinejar)
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